Curtiss Wright P-36A no Brasil

História e Desenvolvimento. 


No final da primeira metade da década de 1930 Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) deu início a um processo de seleção para o desenvolvimento de um novo caça leve, visando assim substituir os já obsoletos monoplanos Boeing P-26. Entre diversos concorrentes participantes, foram pré-selecionados dois projetos finalistas, o P-35 pertencente a Seversky Aircraft Co. e o P-36 da Curtiss-Wright Corporation. As duas empresas receberam sinal verde para a produção dos protótipos, e P-36 alçou voo em 6 maio de 1935, sendo submetido a inúmeras fases de avaliação pelo corpo técnico da USAAC, e após rigorosas avaliações e comparativos o modelo da Curtiss foi declarado vencedor da concorrência.

As primeiras células de produção começaram a ser entregues em abril de 1938, sendo incorporadas ao 20º Pursuit Group, sediado em Barksdale Field no estado da Louisiana, onde iniciaram o processo de conversão ao modelo na USAAC, sendo o P-36 posteriormente incorporado a outras unidades americanas dispostas não só no próprio território continental como também em bases aéreas avançadas no pacifico.
O início das hostilidades na Europa em 1939, trouxe à tona um novo patamar de tecnologia para aeronaves de caça, e o desempenho apresentado pelos caças alemães Messerschmitt Me-109, tornou claro e evidente que o P-36A Hawk não seria páreo para este nível de ameaça, sendo este aspecto reforçado por relatórios de inteligência que apontavam também novos parâmetros de desempenho das aeronaves de caça japonesas. Desta maneira somente 245 células do P-36A foram entregues ao Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC). 

Nas primeiras fases da guerra do pacifico, os P-36A sofreram inúmeras baixas quando confrontados com os modernos Zero Zen japoneses, sendo rapidamente substituídos pelos novos P-40 Warhawk, um modelo que foi muito influenciado pelo projeto original da Curtiss Wright, assim sendo as unidades remanescentes foram transferidas para unidades de segunda linha mais notadamente baseadas nos Estados Unidos.

O modelo ainda seria envolvido em combates no teatro Europeu através da sua versão de exportação o Curtiss Hawk 75, que foi inicialmente desenvolvido para a França, que antes do início das hostilidades buscava emergencialmente modernizar sua força área para se equiparar a Luftwaffe, contemplando uma encomenda inicial de 300 células, que, no entanto, não foram entregues em sua totalidade devido a capitulação pela Alemanha em maio de 1940 porém mesmo assim os caças americanos foram responsáveis pela derrubada de 230 aeronaves alemães durante a batalha da França. Muitas aeronaves em bom estado foram empregas pelos alemães na defesa dos territórios ocupados, sendo também repassados para a Força Aérea Finlandesa, onde tiveram destaque também em combates contra as aeronaves soviéticas.
A produção total do Curtiss Hawk 75 atingiria a cifra de 600 células sendo empregado em combate e no pós-guerra por países como Inglaterra, Argentina, Brasil, China, França, Finlândia; Irã, Índia, Peru, Portugal, Nova Zelândia, Austrália e Tailândia, se mantendo em uso até o início da década de 1950. 

Emprego no Brasil. 

A participação brasileira no esforço aliado na II Guerra Mundial gerou a necessidade de modernização de sua recém-criada força área que mantinha em sua frota aeronaves já obsoletas, para se atender a desta deficiência o governo brasileiro viria a celebrar com os Estados Unidos o Leand Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos), entre os primeiros modelos recebidos estavam 10 Curtiss Wrigth 75 Mohawk RP-36A que eram oriundos dos estoques da 6º Força Aérea Norte Americana que estavam alocados no 16º Pursait Group e no 32º Pursait Group , estando ambas as unidades baseadas em Albrook Field, Zona do Canal do Panamá onde estavam encarregadas de missões de patrulha e treinamento de novas tripulações para a USAAC.

Em sem 3 de março de 1942 foram recebidas na Base Aérea de Fortaleza as primeiras células, vale citar que nos registros estas células estavam denominadas como RP-36A, sendo o sufixo R de Restrito, por se tratar de aeronaves no limiar de sua vida estrutural, não devendo ser arduamente empregadas a fim de se evitar acidentes, e se destinavam principalmente a tarefas de instrução visando disseminar as novas doutrinas de operação e combate para as equipagens brasileiras em missões de guerra em aeronaves modernas
Em Fortaleza os P-36A foram inicialmente destinados ao Agrupamento de Aviões de Adaptação (AAA), unidade esta que fora criada em 4 de fevereiro de 1942, tendo com sua principal missão a adaptação dos militares brasileiros as aeronaves americanas, criando assim as bases para o desenvolvimento de novas doutrinas de operação de guerra para os pilotos. As primeiras missões com os P-36A tiveram início em 6 de abril do mesmo ano até meados de junho quando a unidade foi desativada. Neste período, as matriculas das aeronaves empregadas foram os seriais originais americanos, sendo esta sistemática altera para um padrão correlato da FAB a partir de novembro de 1942.

Após a desativação do Agrupamento de Aviões de Adaptação, todas as células foram destinadas ao 6º Regimento de Aviação (6ºRAV) com base em Recife no estado de Pernambuco. Em março de 1942 as aeronaves matriculadas FAB 04,05 e 06 foram transferidas para o Grupo Monoposto Monomotor (GMM) sediado em Natal no Rio Grande do Norte, com a finalidade de adaptar os pilotos de caças brasileiros, com vistas a incrementar a participação do Brasil no esforço de guerra, operando nesta unidade até 30 de setembro de 1943.
Durante seu emprego em missões de treinamento e patrulha no nordeste brasileiro, ocorreram cinco acidentes, com duas perdas totais das células, rotulando o modelo com uma má fama pelos pilotos brasileiros, a baixa disponibilidade de aeronaves aliada a falta de confiabilidade determinara a suspensão dos voos em 1944, as cinco unidades restantes foram transferidas para Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR) com o intuito de serem empregados apenas em missões de instrução em solo. Em 1946 as poucas células restantes naquela organização foram oficialmente desativadas e sucateadas encerrando assim sua carreira na Força Aérea Brasileira. 

Em Escala.

Para representarmos o P-36A "FAB 04" , fizemos uso do modelo da Hobbycraft na escala 1/48, modelo de fácil montagem que contempla ainda decais para a versão brasileira, porém uma análise mais próxima aponta erros na fidelização dos decais, nos levando a empegar uma mescla dos numerais do modelo com decais FCM oriundos de diversos sets, com observação para as marcações da FAB que foram feitas com a aplicação da estrela verde amarela sobre a identificação da USAAC.
O esquema de cores (FS) descrito abaixo representa o padrão de pintura original do Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos (USAAC) com a adoção de matricula e marcações da FAB, este padrão teve pequenas variações que contemplaram a pintura da carenagem do motor em vermelho ou amarelo, a exceção do FAB 06 do Grupo Monoposto Monomotor (GMM) que recebeu o esquema padrão das aeronaves de treinamento (prata e laranja), todas as demais células mantiveram o esquema original até sua desativação.


Bibliografia :


-  Curtiss P-36A Hawk  - Wikipédia http://en.wikipedia.org/wiki/Curtiss_P-36_Hawk
-  O Curtiss P-36 na FAB por Aparecido Camazano Alamino - Revista Asas Nº 47
-  História da Força Aérea Brasileira por :  Prof. Rudnei Dias Cunha - http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/index.html
-  Aviação Militar Brasileira 1916 / 1984 - Francisco C. Pereira Netto